Al-Maroof encontra-se com prefeito e povos tradicionais

Secretaria:
Prefeito
Elke Lopes Muniz
25/11/2014 00:00

Nesta sexta-feira, 28/11, será assinado um protocolo de intenções entre as cidades de Embu das Artes e Ifon, na Nigéria, selando um dos mais importantes eventos dos Povos Tradicionais de Matriz Africana para as duas cidades. O protocolo será assinado pelo prefeito Prefeito e Oba Al-Maroof, concluindo uma série de ações realizadas durante a visita do rei de Ifon ao Brasil, iniciada no dia 15/11, e que incluiu uma ampla agenda na cidade, onde ficou hospedado, e em outros municípios.

Em Embu das Artes, o rei Al-Maroof Adekunle Magbagbeola (Mababeolá) participou, no domingo, 23/11, da Consagração das Águas, evento que começou no Ginásio Hermínio Espósito, passou pelo Parque Rizzo, para coleta das águas do lago, e terminou no Parque da Vázea, com a plantação do pé de baobá, no local em que será construído o Complexo dos Povos. O rei foi recebido pelo prefeito Prefeito, acompanhado de seu secretariado e da esposa, Daniela Santos de Almeida Brito, presidente do Fundo Social de Solidariedade, no dia 19/11, quando dialogaram sobre as questões que envolvem os Povos de Matriz Africana no Brasil, as relações com a África, o intercâmbio entre as duas cidades e a sua contribuição para estreitar as relações entre os povos. O encontro foi considerado histórico por ambas as partes e um avanço no processo iniciado pelo ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva.

“O povo brasileiro, na sua formação, tem tudo a ver com a África. Mesmo tendo sido uma vinda forçada dos ancestrais para cá, eles resistiram e lutaram contra a escravidão e essa resistência propiciou que no Brasil pudéssemos construir uma sociedade menos desigual e menos opressora. Já mudou muito, mas temos muito o que avançar. Ainda temos preconceito, discriminação, mas é justamente uma relação política como esta que ajuda a romper tudo isso”, declarou o prefeito.

Relações Brasil–África

“Em 2003, quando Lula assumiu, ele foi o presidente que mais visitou países africanos. Esteve na Àfrica 39 vezes, e criou uma Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial e um Plano Nacional de Desenvolvimento dos Povos Tradicionais. Aqui nós seguimos essa proposta, que tem continuidade no governo da presidenta Dilma Rousseff: criamos a Assessoria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho de Promoção da Igualdade Racial, apoiamos a criação do Conselho dos Povos Tradicionais e agora trabalhamos pela formação de uma cooperativa, para que possam plantar e criar animais a partir da sua tradição”.

Ainda como parte dessa política, Embu das Artes tem dois projetos: o Banco Municipal de Alimentos, que atende mais de mil famílias, e o Restaurante Popular, que serve mais de 1.300 pessoas por dia, que compram alimentos cultivados pelos povos quilombolas.

Oxalá de 240 milhões

“O Brasil é extensão da África. Está provado que aqui é quase a mesma coisa. Tudo é passado. Vamos abrir página do progresso, do crescimento, da amizade verdadeira”, declarou o rei de Ifon e Oxalá na terra para os Povos Tradicionais, especialmente iorubá. Acrescentou que todos os orixás africanos estão felizes sobre esse assunto e que o povo iorubá, 240 milhões no mundo, ficará sabendo da sua visita ao Brasil e dos avanços quanto às relações internacionais.

Além de reuniões, encontros, seminários e palestras, o rei tem se reunido com representantes dos Povos Tradicionais na cidade, como Pai Leo (Ilé Afro Brasileiro Ode Loreci), Pai Odesse, Pai Alexandre, seguindo agenda organizada e coordenada pelo Comitê Central na cidade.

A convenção 169

O Comitê de Recepção do Rei, formado por representantes instituições e povos iorubá, jeje e banto, contando com apoio de governos (federal, estadual, municipal), incluindo a Secretaria Geral da Presidência da República, Secretaria Nacional de Articulação Social e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), luta por um levantamento dos povos tradicionais no Brasil. Isso exige mudanças no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo Povos Tradicionais, para aqueles que desejarem se declarar assim, e a implementação da Convenção 169, que trata do direito dos povos tradicionais, uma das 82 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O organizador do Comitê Central em Embu das Artes, Tata Edson Nogueira, destacou que o momento é histórico por consolidar as relações entre povos. “O prefeito Prefeito está sendo um captalizador e irradiador desse processo, assim como os prefeitos que estão sensíveis à questão dos Povos de Matriz Africana, como os de Bragança, Campinas, Rio de Janeiro. Esse momento é o vetor da mudança de relações entre o século 19 e 21”. Nesse contexto, a implementação da Convenção 169 da OIT, que existe há mais de 30 anos e começou a chegar aos municípios depois de 2003, é considerada fundamental.

Visita a outras cidades

Nas diversas cidades em que esteve até agora, o rei de Ifon, que visita o País acompanhado da esposa Olori Adbola Asisat Magbagbeola e assessores, tem deixado a sua mensagem de confiança e de luta contra o preconceito, a discriminação e pela garantia de o Povo de Matriz Africana manter os seus costumes e religiosidade. O seminário realizado na Universidade Federal do ABC, do qual participaram Roberta Santos, secretária de Assistência Social, Trabalho e Qualificação Profissional, e Marisa Araújo, assessora de Promoção da Igualdade de Gênero e Raça, de Embu das Artes, e representantes dos povos tradicionais, o professor doutor de Relações Internacionais da universidade, José Blanes Sala, declarou que as questões de raça devem ser trabalhadas com ênfase na academia: “A Universidade do ABC também é território iorubá”.

Plano Nacional dos Povos

 



Fotos: Guego