Associação Antialcoólica comemora 24 anos em Embu das Artes

Secretaria:
Prefeito
Sandra Martins
26/11/2014 00:00

“Queremos tirar, quem quer que seja, do vício, por isso temos nossas portas sempre abertas, pois em cada copo de bebida, há uma família desesperada por uma solução”. Com essa fala, o presidente regional  da Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo (AAESP), abriu ontem, 25/11,  as comemorações do 24º aniversário do Núcleo Embu das Artes da entidade e a posse de sua nova diretoria. O evento aconteceu no Centro Cultural Mestre Assis, com o apoio do Governo Municipal, e contou com a presença de 80 pessoas.

Mesmo com a forte chuva que caiu sobre a região, representantes de diversos núcleos da entidade compareceram ao encontro: Santo André, São Bernardo, Mairiporã, Cotia e São Paulo. Após a formação da mesa, seguiram-se os depoimentos dos associados, muitos há mais de 15 anos sem fazer uso de bebidas alcoólicas. É o caso do senhor Antônio Maria, que iniciou o tratamento quando sentiu que perderia sua família: “Nunca bati em ninguém, mas com a bebida, agredi moralmente as pessoas que mais amo”, contou.

A Associação conta com o apoio da Prefeitura e funciona no mesmo prédio do Centro de Atenção Psicossocial – Caps II e Caps AD (Álcool e Drogas), um serviço de média complexidade que oferece  espaço de acolhimento e convivência para os usuários de álcool e droga.  O ouvidor do Município, Edson Bezerra, e o chefe de gabinete, Clóvis Cabral, representaram o prefeito Prefeito na reunião. “Entendemos que esse é um trabalho extremamente importante para salvar vidas e famílias. O próprio prefeito disse para darmos todo o apoio necessário”, disse Bezerra. O ouvidor ainda contou sua história pessoal, sobre o próprio pai, que fazia uso de álcool e morreu jovem: “Sinto falta das conversas que nunca tivemos”.

A nova mesa diretora tem mandato de três anos (2014-2017) e ficou assim composta: Ramão Benedito Luz (Coordenador), Maria Betânia Dias Luz (Vice-coordenadora), Benedito da Silva (1º Secretário), Antônio Rego Barros (2º Secretário), Afonso Rocha Lemos (Diretor de Relações Públicas) e Matilde Maria Celano (Coordenadora do Departamento Feminino).

Ao final, a mesa faz a proposta para que novas pessoas entrem no programa. E. G. F., 32, subiu ao palco e aceitou o convite. Em conversa com a reportagem, ela contou a razão que a fez aderir ao programa: “Sou filha de pai alcoólatra e hoje sou viciada em cocaína. Estudei, fiz faculdade de Análise de Sistemas, tenho meu trabalho, mas já fiz até programa para conseguir dinheiro para a droga. Cheguei a usar crack, mas uma amiga, também usuária, chegou a me bater para que eu parasse com aquilo. Continuei na cocaína e estou até hoje. Tenho essa tatuagem aqui no braço para esconder uma cicatriz. Uma vez, meu pai estava bêbado e tivemos uma briga horrível. Ele me empurrou em cima de ferros, acabei me cortando feio. A tatuagem esconde a cicatriz, mas não meu sentimento. Há um mês, tentei me matar. Minha família me internou e resolvi que assim que saísse, iria mudar de vida, por isso, estou aqui”.

Caps AD

O Caps II e Caps AD funcionam no prédio do antigo Fórum da cidade, e têm, por objetivo, cuidar dessas pessoas sob a perspectiva da integração social e redução de danos. Para tanto, a equipe é composta por profissionais de diversas áreas para dar todo o suporte necessário aos jovens e adultos que se encontram nessa situação. Os usuários recebem atendimento psiquiátrico, psicoterápico, medicamentoso, familiar e passam por terapia ocupacional. O programa de ressocialização dos pacientes inclui arte e artesanato. “O AAESP se orienta pela metodologia dos 12 passos, diferente da dos Caps álcool e drogas, pois nestes serviços a redução de danos é a diretriz de cuidado, conforme orientação da Política Nacional de Drogas do Ministério da Saúde. Esta lógica de funcionamento se apóia na ideia de que a abstinência total não necessariamente é a única forma possível de lidar com consumo de drogas, como apregoa a Associação. Contudo, temos uma relação muito boa, apesar dos serviços distintos”, disse o coordenador do Caps AD, Marcel Segalla.

A associação

O alcoolismo é uma doença lenta, progressiva, incurável e irreversível, que pode levar à loucura e até a morte. A Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo é uma entidade sem fins lucrativos e direcionada exclusivamente para a reabilitação do alcoólatra, dependente químico e também para ampla difusão dos princípios antialcoólicos/tóxicos. Não tendo vinculo político, religioso, e sem preconceito de raça, cor ou social e congrega pessoas de ambos os sexos, que tiveram problemas com a bebida alcoólica. Tendo o alcoolismo, algumas características destacamos: o alcoolismo crônico, embriaguês habitual, periódica e ocasional. A AAESP é reconhecida de Utilidade Pública pelos três órgãos: Municipal, Estadual e Federal não é contra quem fabrica, vende ou ingeri a bebida alcoólica, e sim a favor de quem queira deixar de beber.

Números no Brasil

Um levantamento ,elaborado a partir dos dados do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) do Ministério da Saúde, aponta que mais de 530 mil pessoas sofrem com o alcoolismo no País. Apenas no Rio de Janeiro, terceiro estado mais populoso da União (17 milhões de habitantes), mais de 60 mil sofrem com a dependência. São Paulo, com 44 milhões de habitantes, tem em torno de 16 mil casos. No núcleo de Embu das Artes da Associação, aproximadamente 40 pessoas participam dos encontros.

Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo – Núcleo Embu das Artes
Rua Siqueira Campos, 22 (dentro do Caps AD) - Centro
Reuniões às terças-feiras, às 20h.